terça-feira, 28 de agosto de 2012

Reflexões

Índice REFLEXÕES Vanderleia da Silva 24/08/2012 Reflexões N ão possuirmos os recursos suficientes para a ajuda necessária. Felizmente, uma corajosa jovem psiquiatra assumiu o caso com muita sensibilidade e empenho, respondendo ao apelo da família de que cuidasse o filho. Ao longo da avaliação, a equipe dividiu-se: alguns julgaram que não teriam recursos para contribuir num caso de violência intrafamiliar tão grave e outros pensaram que poderiam ajudar, sentindo-se também desafiados... Foi feita notificação à Promotoria de Justiça e solicitada sua colaboração no encaminhamento do caso. Todas as ações sugeridas foram acatadas até que a mãe decidiu retirar a caso, o que foi aceito pelo Juiz. Eu, pessoalmente, supus que, para desencadear-se tal violência, deviam haver simultaneamente uma fragilidade biológica pessoal importante e uma situação familiar e ambiental facilitadora. Na época, não sabíamos que Raul usara álcool e crack. Estas ideias motivaram-me a explorar os recursos positivos que essa família deveria ter, já que se mostravam muito empenhados e competentes na busca de ajuda para o filho. Apesar de, como já disse, estar assustada. Assumi como supervisora do caso num segundo momento, quando já se identificara a grave lesão neurológica frontal que, associada ao uso de álcool e crack, explicava a agressividade e a perda de controle. Ainda não se compreendia a dinâmica familiar facilitadora. No meu primeiro contato com a família, novamente me assustei ao ver a aparente dureza do olhar de Raul. Mas isso me desafiou a perseverar na busca de entender e ajudar. Fui orientada por minha crença básica de que as pessoas não nascem nem boas nem ruins, mas que se constroem na convivência (mesmo quando têm fragilidades genéticas), e que as famílias são muito poderosas, influenciando para o bem e para o mal. Acredito também que uma boa rede social facilita muito a saúde. Já sabia da necessidade de trabalhar multissistemicamente em casos de violência e abuso e drogas, envolvendo recursos da saúde, educação, trabalho e aspectos legais1,2. Este caso permitiu-me testar e validar todas essas convicções. Devagar, fomos descobrindo a dificuldade de duas gerações de homens com abuso de álcool em ambos os lados da família, com esposas em relações de submissão que não puderam ajudar os parceiros em suas doenças. Identificamos uma grave disfunção conjugal que prejudicava a função parental pela falta de parceria e eficiência na resolução de problemas e colocação de regras e limites. Apareceram problemas transgeracionais graves entre genro e sogra e entre nora e sogra, com uma única intercorrência de quase agressão durante o tratamento. Aliás, se pudesse refazer a sessão de psicoterapia familiar que antecedeu esse evento, enfatizaria mais a frequência com que a equipe de saúde não consegue evitar recaídas e/ou ajudar na resolução do abuso de substâncias, porque aparentemente deixei a mãe de Pedro muito irritada ao apontar que seu marido morrera de cirrose alcoólica e que Marta queria evitar que isso acontecesse com Pedro. Pensei que seria uma forma de motivar a sogra a colaborar com a nora, mas desencadeou-se uma torrente de acusações mútuas, (e possivelmente autoacusações) que quase resultaram em agressão no corredor do hospital. Afora essa situação, o trabalho foi muito recompensador porque paulatinamente fomos percebendo mudanças significativas, em especial em Raul e também em seus pais nos cuidados dos filhos. O processo com Raul - na busca de ajudá-lo a assumir a responsabilidade por seus atos e pelos danos causados, culminando com o pedido de perdão à mãe - foi emocionante e com evidências de legítimo arrependimento. Raul parece ter sido uma criança superprotegida que não recebia limites claros: nascera de uma gravidez adolescente, e os pais foram morar com a família paterna; era o primeiro neto de uma família que superprotegia os homens. Seus comportamentos agressivos sempre foram minimizados. Pedro parece ainda estar mais "casado" com a própria mãe do que com a mulher. As duas têm um conflito de toda a vida, assim como o Pedro com sua sogra, que parece não ter vida longe dos filhos. Pedro é o herói e o escravo de suas relações nesta história, assim como Raul. A mesma superproteção que impediu os pais de relatar a real história à Justiça, salvou Raul de ir para a FASE e o colocou dentro de um serviço de saúde que cuidou dele e de sua família, desafiando-os e ajudando-os a ir além de seus padrões de funcionamento habituais. Porém, se não houvesse essa atenção do serviço de saúde, Raul provavelmente entraria num círculo vicioso de piora comportamental e acabaria sendo mais um problema, entre outros tantos que o sistema de Justiça tenta inutilmente resolver. Desde o início de nosso trabalho com a família, adotamos uma abordagem de tratamento multissistêmica: oferecemos psicoterapia individual para Raul e psicoterapia familiar, com os respectivos terapeutas trabalhando juntos e separados, dependendo da necessidade. A supervisão acontecia em conjunto e sempre contava com sessões ao vivo com a família, se necessário. As discussões de caso, no início, eram tão frequentes que os outros alunos se queixavam, com alguma razão, de não receberem a mesma atenção. Outros psiquiatras estiveram envolvidos no tratamento mais adiante, com terapia individual para Cássio e substituindo os colegas quando estes mudaram de função dentro da instituição em janeiro de 2009. Na época, a terapeuta familiar tinha disponibilidade para continuar tratando Marta individualmente, já que esta se vinculara muito a ela. Nas demais posições, houve substituição. Aquele verão foi muito complicado para a família que teve que contar com o lado materno para acolher pai e filho no litoral, sendo o ambiente regado a álcool. Foi também complicado para a equipe que estava em fluxo e para a supervisora que adoeceu. Apesar de tudo, o tratamento não se interrompeu e não houve recaída. O ano de 2009 continuou complicado, houve mais doenças na equipe, aconteceu o surto de gripe A que quase parou o hospital. Nesse período, houve a recaída de Raul com risco de suicídio, e decidimos aproveitar para buscar vinculá-lo ao serviço de saúde da organização na qual o pai trabalha, inclusive fazendo visita ao hospital e criando uma rede de colaboração entre as duas equipes. Nesse ínterim, conseguimos (colocando isso como condição indispensável para manter o tratamento) que o pai aceitasse tratar seu problema com o álcool. Este evoluiu bem por curto período. No final do ano, pai e filho desistiram dos respectivos tratamentos psicoterápicos. Porém, Raul e seus pais sabiam que todos precisavam e que Raul não poderia ficar sem medicação; sabiam que, devido a Raul ter atingido a maioridade, o tratamento não poderia mais ser realizado em nosso serviço. Raul continuou o cuidado com a medicação no serviço de saúde da corporação do pai. Tentamos encaminhar o casal para terapia, mas eles não a procuraram. Marta manteve seu trabalho pessoal. Creio que o trabalho continuado com Marta propiciou grande estabilidade para ela e, em consequência, para a família. A frequência das consultas diminuiu muito, mas Marta ainda conta com sua terapeuta para qualquer eventualidade. Na entrevista de seguimento, Raul declarou que a psicoterapia do período inicial ajudou-o a mudar suas ideias. Esta é uma declaração importante. Antes Raul não admitira que a psicoterapia ajudara. Também disse que a maior ajuda foi separá-lo do grupo com quem convivia, o que vem ao encontro do que se sabe sobre a efetividade do tratamento com transtorno de conduta e abuso de substâncias. Creio que a dificuldade maior que enfrentamos foi em relação a ajudar Pedro a interromper seu uso abusivo de álcool. O uso diminuiu, mas de forma ainda insatisfatória para a esposa e filhos. Não conseguimos mantê-lo em tratamento e não conseguimos encaminhar o casal para terapia conjunta. É possível que, se Marta se sentisse suficientemente forte para acreditar que poderia se separar, o risco da perda seria estímulo para Pedro tratar-se. Mas tudo isso são hipóteses. Também não conseguimos que a mãe de Pedro retornasse às consultas. O certo é que mais de três anos após o início do tratamento esta família voltou ao seu funcionamento pré-evento (conforme o seguimento incluído no início deste artigo), e Raul está estudando, trabalhando e namorando. É um caso bem sucedido, apesar do pessimismo inicial que alguns tinham. Este não é um caso modelar de tratamento. Tivemos muitas dificuldades, mas esta é a prova de que, se pudéssemos atender com tanto afeto, cuidado e competência todos os casos de violência, poderíamos ter resultados bem melhores. e possivelmente esta seria reduzida na sociedade. Esta era minha agenda secreta: se conseguíssemos ajudar neste caso extremo, demonstraríamos que a violência é um ato humano que se explica com referenciais humanos e que deve ser tratada com humanidade. Isso, na adolescência, inclui principalmente a colocação de limites claros. Demonstraríamos também que há esperança no fim do túnel para a sociedade. Uma última palavra sobre a relação da equipe: mesmo com todas as divergências, nunca deixamos de ser apoiados pelo Serviço de Psiquiatria do hospital universitário e conseguimos manter um alto grau de confiança e parceria entre os que estavam diretamente envolvidos e outros colegas colaborando em vários momentos. Só com alta coesão e amizade na equipe é possível este tipo de trabalho. Esta edição da Revista Brasileira de Psicoterapia, que fui convidada a coeditar, é uma grande oportunidade de discutir o tema da violência sob várias perspectivas, e foi feita com todos os cuidados éticos: todos os membros da família sabem e permitiram a publicação do caso desde que resguardadas suas identidades. Estudar esse tema é uma iniciativa necessária já que o abuso de álcool e drogas, assim como a violência, tem características endêmicas e prevalência altíssima. Pior, nós das equipes de saúde não nos sentimos preparados para enfrentar seus desafios. No nosso caso, quando nos demos conta de que o desafio era passar de uma posição de impotência para outra, de utilizarmos os recursos que já tínhamos, a ênfase passou a ser não mudar a família, mas colocar à disposição dela os recursos da equipe. Assim, pudemos colher os resultados que foram plantados ao longo de dois anos. Esta edição da revista, que inclui uma discussão verdadeiramente transdisciplinar do caso, torna-se uma referência para os que vão lidar com situações semelhantes. Estão incluídos desde os aspectos biológicos, relacionais, psicológicos, éticos, legais e sociológicos, abordando o paciente, a família, a equipe e a rede social. Cabe aqui uma nota em resposta ao artigo de Douglas Bernstein que afirma estarmos assumindo um risco indevido ao expormos mãe e irmão a um possível ataque no futuro, tendo em vista a potencial periculosidade de Raul. É importante salientar que a bibliografia consultada sobre matricídio indica que é rara a reincidência de tais tentativas. Além disso, todos os cuidados legais foram tomados, e foi a família quem decidiu terminar o processo legal. Durante a fase aguda do tratamento, quando não se sabia ainda o grau de periculosidade de Raul, este estava sempre sob supervisão e dormia em quarto trancado e separado da casa. E, por ultimo, tanto Raul quanto sua família e seu atual psiquiatra foram bem instruídos sobre os riscos em caso de interrupção da medicação. Além disso, a mãe, em particular, está muito alerta e tem acesso imediato à sua psiquiatra e à equipe do hospital universitário. Sentimos falta, no artigo do colega, de uma reflexão sobre o fracasso, nos Estados Unidos, da abordagem predominantemente punitiva da violência. Este país apresenta o maior número relativo de adolescentes encarcerados (em sua maioria, negros) e grande dificuldade de promover sua reinserção social quando a pena é concluída. Por outro lado, foi também nos Estados Unidos que Henggeler e colaboradores1,2 desenvolveram e testaram as intervenções multissistêmicas na violência juvenil, com resultados promissores. Cremos estar cumprindo um dever social publicando e compartilhando este caso com os leitores, colaborando para o conhecimento na área da violência intrafamiliar. ESPIRITUALIDADE Uma das palavras mais usadas nestes últimos tempos é espiritualidade, porque nos faz muita falta para o equilíbrio de nossa vida. Dizem os psicólogos que quando se fala muito de uma coisa é porque não a possuímos e portanto somos carentes do que falamos. Não sei se esta teoria está certa, não é minha especialidade. O que posso dizer é que a espiritualidade não é uma teoria que preenche o coração de ninguém. Para que a espiritualidade se torne algo de pessoal e de amado deve sair do papel e do campo das idéias e se fazer vida. Somente quem vive olhando para o alto, não se deixando escravizar pelas coisas da terra pode lentamente tornar-se uma pessoa espiritual. Devemos evitar o spiritualismo que nos impede de compreender que a ação é o caminho certo de toda forma de espiritualidade. Se um dia você tiver a oportunidade de visitar uma livraria do aeroporto ou rodoviária ou qualquer outra livraria você fica espantado em ver tantos livros que são denominados de espiritualidade, mas que na verdade não passam de pequenas e às vezes insignificantes orientações emocionais e psicológicas que não atingem o verdadeiro sentido da vida. No respeito para todos estes autores que fazem um bem imenso aos que lêem, discordo de tudo isto porque me parece que não pode existir uma autêntica espiritualidade sem uma referência explícita a determinados valores fundamentais como a defesa da vida, da paz, dos direitos humanos. A busca da espiritualidade não pode prejudicar a ninguém, mas deve nos ajudar a ser cada vez mais livres da matéria e senhores do nossos instintos. Verdadeira espiritualidade é fruto de uma luta corajosa, forte, onde ficamos feridos, arranhados e sangrando mas não desistimos da luta. Um dos textos que mais me ajudam como aprender a verdadeira e autêntica espiritualidade é a carta de São Paulo aos gálatas. Ele nos recorda a beleza da nossa vocação, deste caminho espiritual que devemos percorrer e que devemos sempre ter presente na vida. 'fostes chamados para a liberdade”. Somente quem busca a autêntica liberdade se aventura no caminho espiritual. A liberdade não é como normalmente se entende dentro da linguagem das pessoas no dia a dia. Livre é quem faz o que quer e como bem entende. Há muitos autores que dizem: “tenho o direito de ser feliz e de buscar a minha felicidade e realização, portanto até que não encontre vou buscando, não importa se isto me faz romper os laços da família, do amor, dos compromissos do matrimônio ou do relacionamento familiar, o que vale é a minha felicidade.” Na verdade nunca seremos felizes se nos deixarmos dominar pelo egoísmo que está em nós. A liberdade é um sonho duro a ser conquistado e que vai exigindo muito de nós. Esta liberdade nos leva à verdadeira espiritualidade do amor. Mais reflito sobre o amor e menos sei, e no entanto me parece que com os anos que vão chegando o compreendo mais. Mesmo quem sabe porque a memória dos fracassos me faz ver em outra perspectiva o mesmo amor que devo conquistar. Perceber a necessidade do amor para viver uma dimensão de vida que não pode ser “espiritualização” de nada, mas sim somente espiritualidade autêntica e vital. Será o mesmo Paulo que vai apresentando uma lista interminável de frutos da carne. São 15 nomeados e outros que ele não nomeia. E todos são causas de perturbações que nos afastam do valor fundamental da vida. Há quem acha que viver a feitiçaria ou espiritualismo é espiritualidade, ou quem vive até rancores e domínio dos outros... Pensa que para dominar os demais se necessite de uma forte espiritualidade. Não há dúvida que são visões distorcidas da verdadeira e autêntica espiritualidade. Não podemos confundir a espiritualidade no sentido católico do termo, esta não pode Ter outro alicerce a não ser Cristo Jesus. Existem várias espiritualidades: budista, muçulmana, hinduista, judaica... são janelas pelas quais as pessoas vêem a vida. Mas nós queremos ver a vida pela janela do evangelho e do coração de Deus, por isso o único alicerce de toda a espiritualidade é a palavra de Deus que nos alimenta em cada momento. Paulo diz que os que vivem os frutos da carne não podem entrar no reino de Deus. Não é necessário termos todos os frutos da carne, é suficiente ter um que nos domine, para não termos acesso à mesma vivência do reino. Um fruto influencia toda a nossa vida e nos escraviza. Os frutos do Espírito, que são o sinal do autocontrole e do senhorio de nós mesmos, nos fazem entrar na verdadeira liberdade. Quais são estes frutos do Espírito? Os frutos do espírito são: caridade, alegria, paz, longanimidade, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, continência. Contra estes não há Lei.(Gl 5, 22-23) Aqueles que vivem estes frutos do espírito não tem mais lei porque são orientados pelo amor e quem ama sabe que jamais poderá fazer o mal nem a si mesmo e nem aos outros. São João da Cruz, na sua visão de liberdade e de plenitude da vida, ensina que quem chega no cimo do monte encontra somente a honra e a glória de Deus, e que para o justo não há lei...O justo tem uma única lei que o orienta, o amor. Este não lhe permite mais ser escravo de nada e de ninguém. O caminho da verdadeira espiritualidade é um processo de libertação interior onde tudo está debaixo do poder da nossa liberdade e que nada mais poderá nos impedir de sermos livres no nosso agir. Na espiritualidade então percebemos que é necessário superar as ideologias mágicas que não realizam nada em nós. Por exemplo, a espiritualidade dos perfumes, das cores, do incenso queimado ou das novenas feitas somente pelo intuito de receber a graça e nada mais. São espiritualidades vazias e sem fundamento. É preciso que o Espírito encontre em nós uma resposta e se faça carne. Deus nos dá um espaço de tempo para viver a nossa espiritualidade e somente neste espaço de vida que somos chamados a realizar o seu projeto de amor. Não há nada de reencarnação e de caminhos de volta para nos purificar e chegar assim “à iluminação”. É aqui e agora que a nossa vida deve se realizar. Não há outras vidas e nem outra existência a não ser a vida eterna que se conquista no dia a dia duro e difícil do nosso carregar a cruz, e na luta sem trégua contra o mal que está dentro e fora de nós. Mas afinal o que é espiritualidade? É um estilo de vida pautado pelo evangelho que visa a imitar a pessoa de Jesus. Seremos espirituais quando pudermos dizer com sinceridade com Paulo apóstolo: “não sou mais eu que vivo mas é Cristo que vive em mim.” Mediunidade ou esquizofrenia? Belo Horizonte — Ter visões, escutar vozes e sentir a presença de seres não visíveis são consideradas manifestações de mediunidade (capacidade humana que permite a comunicação entre humanos e espíritos), mas também podem ser interpretadas como sintomas de esquizofrenia (doença mental caracterizada por alucinações). Diferenciar uma coisa da outra é o objetivo de um estudo desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (Nupes) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). “Infelizmente, muitas vezes pessoas portadoras de transtornos mentais abandonam seus tratamentos médicos pensando ter apenas experiências espirituais, o que é um erro que deve ser evitado, pois podem haver graves consequências para os pacientes”, observa o orientador da pesquisa e diretor do Nupes, Alexander Moreira-Almeida. Denominada Um estudo prospectivo para o diagnóstico diferencial entre experiências mediúnicas e transtornos mentais, a investigação teve início em abril do ano passado e está na fase de coleta de dados, com conclusão prevista para o fim de 2011. O trabalho faz parte da tese de doutorado em saúde brasileira do também professor da UFJF Adair Menezes Júnior. “A pesquisa investiga a mediunidade em um contexto espírita, não pretendendo fazer comparações com vivências semelhantes que ocorrem em outros grupos religiosos”, delimita. A metodologia prevê a avaliação de 100 pessoas que, ao buscar ajuda em centros espíritas, são identificadas como médiuns pelos atendentes. Os indivíduos são submetidos a entrevistas que avaliam diversos aspectos psicológicos e psiquiátricos. Depois de um ano, as mesmas pessoas são entrevistadas novamente para avaliar como foi a evolução de suas vivências e das variáveis psicológicas e psiquiátricas investigadas. “A mediunidade está presente ao longo da história em praticamente todas as civilizações, com registros de fazer parte da base de grande parte das religiões. Sendo assim, é uma experiência humana que precisa ser melhor investigada”, justifica Alexander Almeida. Critérios Com base em pesquisas anteriores com médiuns e em uma ampla revisão da literatura, os pesquisadores identificaram nove critérios que podem ser úteis na diferenciação entre uma experiência espiritual saudável e um transtorno mental. São eles: ausência de sofrimento psicológico, ausência de prejuízos sociais e ocupacionais, duração curta da experiência, atitude crítica (ter dúvidas sobre a realidade objetiva da vivência), compatibilidade com o grupo cultural ou religioso do paciente, ausência de comorbidades (coexistência de doenças ou transtornos), controle sobre a experiência, crescimento pessoal ao longo do tempo e uma atitude de ajuda aos outros.A pesquisa do Nupes é uma continuidade de outro trabalho do professor Alexander. Em 2001, ele verificou a saúde mental de 115 médiuns espíritas de nove centros espíritas selecionados aleatoriamente na cidade de São Paulo. Eles foram entrevistados com base em questionários psiquiátricos padronizados, desenvolvidos pela Organização Mundial de Saúde. O estudo concluiu que os médiuns apresentaram baixa prevalência de problemas psiquiátricos e bom ajustamento social, com alta escolaridade e baixo desemprego.Além disso, o trabalho evidenciou que a maioria dos médiuns teve o início de suas manifestações mediúnicas na infância e estas, na fase adulta, se caracterizam por vivências de influência ou alucinatórias que não necessariamente implicam diagnóstico de esquizofrenia. Outra conclusão importante da pesquisa é que a mediunidade se constitui numa vivência diferente do transtorno de personalidade múltipla. Psicografia Em 2008, em parceria com o Centro de Espiritualidade e da Mente, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, os pesquisadores do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade da UFJF captaram imagens do cérebro de médiuns em dois momentos distintos: durante o ato de psicografar (capacidade atribuída a certos médiuns de escrever mensagens ditadas por espíritos) e ao escrever um texto de própria autoria, fora do estado mediúnico. Obsessivo compulsivo O que é? O Transtorno obsessivo-compulsivo consiste na combinação de obsessões e compulsões. O que são obsessões? São pensamentos recorrentes insistentes que se caracterizam por serem desagradáveis, repulsivos e contrários à índole do paciente. Por exemplo, uma pessoa honesta tem pensamentos recorrentes de roubo, trapaça e traição; uma pessoa religiosa tem pensamentos pecaminosos, obscenos e de sacrilégios. Os pensamentos obsessivos não são controláveis pelos próprios pacientes. Ter um pensamento recorrente apenas pode ser algo desagradável, como uma musiquinha aborrecida ou um problema não resolvido, mas ter obsessões é patológico porque causa significativa perda de tempo, queda no rendimento pessoal e sofrimento pessoal. Como o paciente perde o controle sobre os pensamentos, muitas vezes passa a praticar atos que, por serem repetitivos, tornam-se rituais. Muitas vezes têm a finalidade de prevenir ou aliviar a tensão causada pelos pensamentos obsessivos. Por exemplo, uma pessoa cada vez que se lembrar do patrão acredita que isso provocará um acidente de carro: para que isso seja evitado, pois o paciente não quer ter a consciência de ter participado do acidente, realiza certos gestos para neutralizar o pensamento. Assim, as compulsões podem ser secundárias às obsessões. As compulsões são gestos, rituais ou ações sempre iguais, repetitivas e incontroláveis. Um paciente que tente evitar as compulsões acaba submetido a uma tensão insuportável, por isso sempre cede às compulsões. Os pacientes nunca perdem o juízo a respeito do que está acontecendo consigo próprios e percebem o absurdo ou exagero do que está se passando; mas como não sabem o que está acontecendo, temem estar enlouquecendo, e pelo menos no começo tentam esconder seus pensamentos e rituais. No transtorno obsessivo-compulsivo os dois tipos de sintomas quase sempre estão juntos, mas pode haver a predominância de um sobre o outro. Um paciente pode ser mais obsessivo que compulsivo ou mais compulsivo do que obsessivo. Sintomas O transtorno obsessivo-compulsivo é classificado como um transtorno de ansiedade por causa da forte tensão que sempre surge quando o paciente é impedido de realizar seus rituais. Mas a ansiedade não é o ponto de partida desse transtorno como nos demais transtornos dessa classe: o ponto de partida são os pensamentos obsessivos ou os rituais repetitivos. Depressão Dor fantasma, Ansiedade e Depressão Alguns pesquisadores acreditam que o surgimento da dor do membro fantasma pode ser de origem psicológica, que poderia ser prevenida com a expressão das emoções referentes à perda do membro. Esta hipótese não se confirmou com estudos comparativos, usando testes psicológicos. Continuando essa pesquisa, o presente trabalho comparou os índices de ansiedade e depressão em dois grupos de pacientes, todos com menbros amputados. Um grupo apresentava dor fantasma outro não apresentava. Os pacientes com dor no membro fantasma (29 no total) apresentaram taxas nos questionários mais elevadas tanto para ansiedade como para depressão do que os pacientes sem queixa de dor fantasma (64 no total), essas taxas contudo não foram consideradas estatisticamente significativas. Como conclusão os autores admitem que há uma fraca sustentação a hipótese de que a dor do membro fantasma esteja ligada às emoções de ansiedade e depressão, nem ao equilíbrio emocional pré-operatório. A dor de uma agressão A Agressão ou violência para com os pais ou outros familiares de crianças ou jovens é mais comum do que a maioria das pessoas imagina. Não se falou muitas vezes porque os pais podem sentir vergonha de admitir que está acontecendo. Violência em direção a um dos pais é uma tentativa de controlar ou intimidá-los. Pode envolver a utilização de linguagem abusiva, empurrando, empurrando, chutando, jogando coisas ou ameaçar com facas ou outras armas. Crianças e jovens também podem ferir animais de estimação ou móveis danos e à propriedade. Violência contra os pais muitas vezes acontece na casa, mas isso pode acontecer em outros lugares também. Se é um incidente isolado ou em curso, deve ser tratada. Por que crianças e dos aggro "os jovens? Agressão para os pais ou outros membros da família acontece por uma série de razões. Pode acontecer que o rsult de um argumento ou pode acontecer de repente. Enquanto as crianças mais jovens pode ser agressiva, normalmente é mais assustador quando um adolescente se comporta de forma agressiva. Seu tamanho e força física pode realmente assustar. É mais comum para os rapazes para ser violento para com suas mães, mas isso nem sempre é o case.Violence para com os pais ou outros membros da família é inaceitável e, em alguns casos pode ser um crime. Algumas das razões listadas abaixo podem ajudar você a entender por que seu filho ou filha usa violenta ou "aggro" comportamento. Ele não desculpá-lo, embora, ou significa que você não deve tomar medidas para impedi-lo. • Eles não aprenderam outras maneiras de resolver problemas ou obter o que querem. • Eles não aprenderam a controlar ou administrar sentimentos, especialmente os de raiva. Eles agem para o Eles não aprenderam outras maneiras de resolver problemas ou obter o que querem. o Eles não aprenderam a controlar ou administrar sentimentos, especialmente os de raiva. Eles agem para fora seus sentimentos sem usar qualquer auto-disciplina. o Eles vêem explosões de raiva ou violência como normal porque é o que eles viram em casa entre os pais, ou o que aconteceu com eles. Eles não aprenderam que ser bravo e ser violento são duas coisas diferentes. Todos nós ficamos com raiva, mas a maioria das pessoas não ficar violento. o Eles não aprenderam a valorizar ou respeitar as outras pessoas ou suas propriedades. o Eles não tiveram que enfrentar as conseqüências de sua violência e não vejo nenhuma razão para parar. o Eles vêem um dos pais (geralmente a mãe) como fraco e impotente, ou eles pensam que é bom para tratar as mulheres desta forma. o Eles não aprenderam a controlar o stress em sua vida. o Eles podem estar passando por um momento realmente difícil, como uma relação de ruptura ou perda de um emprego, e não sabem como lidar com ele. o Eles podem ser afetados por álcool ou drogas. Algumas drogas podem desencadear psicose (estar fora de contato com a realidade) e comportamento violento. o Eles podem ter uma deficiência e não foram capazes de aprender outras formas de comunicação. o Eles podem ter uma doença mental e ser muito assustada. O que você pode fazer Prevenção da violência o Entenda a diferença entre conflito e violência. É normal que as pessoas alegam às vezes, quando eles discordam sobre algo. No entanto, os argumentos não costumam acabar com alguém se machucar. o Não ignorá-lo. Os jovens que tentam controlar um pai usando agressão ou violência, muitas vezes, "jogar para baixo" o que eles fazem. O pai, muitas vezes, "jogar para baixo" o impacto sobre eles, mas viver com medo de que isso vai acontecer novamente. Quanto mais tempo a todos finge que não é grave, quanto maior o problema começa. o Quando você está relaxado tanto, trabalhar juntos para descobrir maneiras strengthenyour limites do relacionamento e definir: o  deixá-la saber que você a ama e todas as suas boas qualidades. Trabalhar em conjunto para tornar a relação mais importante do que quaisquer diferenças que você pode ter  gastar o tempo falando com ela e conhecer seus interesses. Apoio o que ela gosta de fazer, por exemplo, assistir a seu esporte jogo ou ouvir música juntos  perceber o que ela faz bem e converse com ela sobre isso. Especialmente os jovens precisam de incentivo - para toda a sua bravata, eles muitas vezes têm medo e falta de confiança  concorda em ouvir uns aos outros do ponto de vista e aprender a "concordar em discordar  acordo sobre as regras da casa dos que trabalham para todos. Seja claro sobre as coisas que ela pode tomar suas próprias decisões, eo que as coisas estão a sua decisão ou uma decisão familiar  ajudá-la a olhar para formas que ela pode aprender a controlar seus sentimentos e parar de usar a violência de trabalho em conjunto as 'linhas de fundo' sobre comportamento. Por exemplo, fazer acordos com ela sobre o comportamento é aceitável eo que precisa mudar. Deixe que ela saiba que ações você vai ter se seu comportamento é violento ou perigoso. o Se os resultados da violência a partir de uma luta, acho que o que as lutas são mais frequentemente sobre. Pense sobre o que acontece como uma fabrica de luta. Quais são os sinais de alerta? Quando estes sinais estão presentes, certifique-se de agir rápido e tomar o espaço do outro. Você pode precisar sair de casa. Se assim for, levar seus filhos mais jovens para que eles não se tornam vítimas de violência.Discussão sobre os problemas apenas quando estiver tanto calmo. o Você pode precisar aceitar que ela não é mais uma criança, que ela está se tornando um adulto independente jovem que tem o direito de fazer suas próprias escolhas. Ela também precisa aprender a aceitar as conseqüências de suas escolhas para se tornar maduro. o Se o comportamento é fora do personagem para ela e começou apenas recentemente, pensar sobre o que mais pode ter acontecido ou mudado recentemente. Por exemplo, alguém novo teve contato com sua família? Houve mudanças na família ou com seus amigos? Aconteceu alguma coisa nesses relacionamentos? Agir Quando um dos pais sofre violência de seu jovem possam se sentir muito assustada, impotente, solitário, às vezes constrangido, envergonhado e culpado. Eles sentem que perderam o controle em casa. Lembre-se, tudo o que aconteceu entre você, não há desculpa para a violência. o Você precisa assumir o controle precoce. Você pode não ser capaz de mudar ou parar o seu comportamento, mas você pode mudar a sua mesmo se você estiver com medo ou não se sentir seguros.Muitos pais acham que a atuação precoce é melhor para eles, porque eles se sentem mais confiantes. Ele também dá ao jovem uma maior chance de mudar o comportamento. o Esteja preparado para fazer algumas decisões difíceis. Tomar uma posição firme é importante para toda a família. Quando uma pessoa jovem é violento para com um pai, não importa o quanto ele desculpas seu comportamento ("É culpa dela, ela empurrou-me para fazê-lo"), ele não vai se sentir bem com isso. o Se ele nunca tem que enfrentar as conseqüências de seu comportamento, ele provavelmente irá repetir o mesmo padrão de outros relacionamentos ou no local de trabalho. Ele continuará a causar problemas em sua vida e pode até levar a problemas com a lei, a menos que ele faz algum mudanças. o Seguir com as conseqüências para o comportamento abusivo ou perigoso. Quando você não seguir através de vocês estão ensinando a ele, e as crianças mais jovens em casa, que você não quer dizer que você diz e que você não está no comando. o Quando ele é abusivo e perigoso, ele pode precisar de sair de casa. Isto pode ser feita por acordo, ou por você chamar a polícia ou obter uma ordem de restrição. o Qualquer ação que você toma, você precisa sempre garantir a sua segurança ea de crianças na casa. Eles estarão com medo e preciso de você para protegê-los e fazê-los sentir segura. o Se nada parece estar funcionando, é importante buscar ajuda profissional. Não tente lidar com isso sozinho. Chamar a polícia para obter ajuda Pode ser difícil tomar a decisão de chamar a polícia e para tomar uma decisão ainda mais para ter o seu jovem cobrado. No entanto, você precisa manter-se seguro e outros. É provável que você sentir culpa, raiva, tristeza e medo. Você pode sentir que você está traindo ele e colocar seu futuro em risco. No entanto, chamar a polícia pode ajudar as coisas se acalmarem e apoiá-lo para recuperar o controle. Pode ajudar a reconstruir uma relação respeitosa com ele, porque ele pode ver você dizer o que você diz. O que vai acontecer? o A polícia vai ajudar a gerir a situação e proteger os membros da família. o Eles vão dar informações sobre suas escolhas e perguntar o que acção que pretende tomar, se houver. Que medidas pode tomar a polícia? Se você quer que a polícia agir, o jovem será levado para a delegacia mais próxima para uma entrevista formal. A polícia pode: o Dê-lhe uma advertência informal (polícia manter notas, mas nenhum relatório formal é feita). o Dê-lhe uma advertência formal (um registro formal é mantida que pode ser usada mais tarde). o Pode organizar uma Conferência Justiça Restaurativa se jovem concorda e está entre 10 e 17 anos. o Levar o assunto ao Tribunal de Menores (Magistrado Infantil Tribunal tomar uma decisão). Se a ofensa é grave, ele pode ser preso e levado sob custódia. o Crianças menores de 10 anos não podem ser cobrados, mas a polícia ainda pode ser chamado para a assistência e aconselhamento. o Se o jovem é entre 10 e 18 anos, os casos são tratados dentro do sistema de Justiça Juvenil. O Tribunal decidirá sobre as medidas serão tomadas se for determinado que ele cometeu um crime. o Os jovens com mais de 18 são considerados adultos e são tratados pelo Tribunal de Magistrados. o Se você não quer tomar uma atitude agora, a polícia vai manter o assunto em arquivo no caso de você decidir tomar medidas em um momento posterior. Lembretes • Todo mundo tem o direito de se sentir seguro, incluindo os pais. Às vezes, a violência por crianças e jovens pode ser um crime. • É importante tomar medidas para garantir a sua segurança ea dos outros membros da família. • As crianças mais novas são muito afetadas pela violência no lar. Eles precisam de você para protegê-los e fazê-los sentir segura. • Amar o seu jovem não significa que você tem que colocar-se com um comportamento inaceitável. • Quando as coisas estão calmas trabalho em conjunto para construir o relacionamento. • Decidir sobre a sua linha de fundo, ser claro sobre as conseqüências, significa que você diz e seguir com a ação. • Pode parecer difícil de chamar a polícia se for preciso, mas você está fazendo a melhor coisa para todos. • Lidar com esse problema, ele não vai embora. • Fale com alguém que pode ajudar A ingratidão afetiva dos filhos Aparentemente não seria próprio para compor uma publicação especializada como esta um texto sem o jargão forense ou matéria jurídica e sim sobre comportamento. Considero-o, no entanto, de interesse dos operadores do direito, enquanto fenômeno social emergente que estará desafiando prestação jurisdicional não sei se mais enérgica ou se mais melindrosa. Chegaria a ser acaciana, não fosse indispensável como intróito, a observação de que em qualquer Estado de Direito a maioria vive, e convive, sob um ordenamento legal e na conformidade da herança genética e social legada pelos seus antepassados desde os tempos mais remotos em que seus limites eram os tabus e seu respeito era a um direito Natural. A síntese fundamental desse necessário procedimento pessoal auto-policiado para atender os limites legais estará no atendimento do apelo - ainda Natural - para somar-se, enquanto indivíduo membro do núcleo primário da sociedade e que é a família, no amplo contexto da própria preservação e sobrevivência da espécie. Tanto melhor para esse indivíduo se o desenrolar da sua vida ocorrer numa convivência familiar permanentemente solidária em que os adultos fortes, acodem os mais frágeis, os menores e os demais incapazes. Nesta solidariedade estará imanente a gratidão pelo anteriormente recebido. Importará no desprendimento de cada um para o recíproco e permanente suprimento das necessidades dos familiares que se alternarão na variação cíclica do tempo que faz nascer, viver, envelhecer e morrer. Num transcurso em que tudo se altera: as idades, as circunstâncias, e as capacidades. Nesse ritmo os indivíduos, se normais, seguirão provendo suas carências cognitivas, afetivas e sexuais. Ao tornarem-se pais e mães aquele apelo natural os compelirá a trabalhar para a segurança da família que constituíram e para um melhor futuro para os seus filhos. Mas, todos conhecemos exceções que nos chocam, casos de pais desnaturados. Alguns, espertos na própria maldade, dão uma de godelo, pássaro que bota seu ovo no ninho do tico-tico que o choca e cria sozinho. Outros cuidam do seu filho apenas enquanto infante e depois somem da vida dele. E, noutras variações, há pais que depois de se separarem das mães abandonam também os filhos. Todos caracterizando sua violação do dever moral/natural de lhes prestar assistência afetiva, material e escolar. E, porque antisocial, esse comportamento também tem previsão legal de crime e de infração civil do dever de alimentar e assim sujeito à uma correição que resultará na quantificação dos alimentos devidos e no constrangimento No entanto, o cerne do nosso assunto está no surpreendente crescimento dos casos do que seria o outro lado da moeda desse comportamento lamentável mas do cotidiano dos profissionais do direito. São os casos que, de início, rotulei como verdadeiro fenômeno social emergente: os da ingratidão ativa de filhos, tão pior quanto materializada na violência contra pais, com ênfase contra as mães, mais oportunas como vítimas por sua menor capacidade de reação. Com horror enquanto ser humano, são dramas que tenho vivenciado em consultas como resultado de uma absurda e crescente violência filial. A conjugal, de marido x mulher na baixaria das agressões físicas até com tragédias resultando em assassinatos e suicídios, e a violência paterna, de pervertidos marcando filhos indefesos no corpo e na alma com surras covardes, são uma cruel realidade que a mídia se encarregou de popularizar e para a qual nós buscamos a previsível prestação jurisdicional. A violência que qualifiquei de especial é subjacente àquela dos noticiários, é a que não tem sido exposta porque o pudor e o amor imortal de genitores bondosos silenciam as ocorrências. É a que vem sendo praticada, então impunemente, por muitos filhos e sob inimagináveis formas físicas, psíquicas e morais. Nessas situações, não raro o antigo amor filial nascido da gratidão se transforma não só em ódio como em agressões malnascidas nos desvãos da banalização do mal embutido na informação deletéria. Destaque-se que, na prática, a agressividade contra o pai é limitada, quando não inibida, pela maior força física dele, o que inocorre quando contra a mãe, com agressões sempre consumadas e tão mais revoltantes quanto sejas também covardes porque contra criatura frágil e sensível. A preferência pela mãe como vítima também está em que o filho já a conhece como dotada de inesgotável reserva de amor que a torna cativa dele, perdoando-o e... desculpando-o até o limite da própria sobrevivência. Aliás, há outras diferenças entre pai e mãe, umas decorrentes da natureza, outras da herança social. Num exemplo prosaico, o pai somente pode demonstrar amor e dedicação diretamente ao filho depois deste nascido porque antes este será inatingível na condição de hóspede do ventre materno, enquanto a mãe desde ainda embrião o filho sempre lhe estará se doando, ensejando-lhe usufruir dela, integralmente. Há pouco externei minha preocupação sobre esses dramas num artigo publicado pelo Estado de Minas, justificando-o com a certeza dele poder ser levado ao conhecimento de muitos a quem servirá a carapuça, fazendo dele um modesto tijolinho numa tentativa de reconstrução do caráter desses alienados. Buscando esse objetivo, comecei por procurar induzir cada um a quem se fizesse chegar o artigo a rememorar seu passado de dependência e de assistência materna que depois "agradeceu" mordendo o seio que o amamentou. Cada um devendo sentir-se reduzido à insignificância do mero espermatozóide que foi e que teria surgido e sumido não fosse transformado numa pequena semente no útero daquela que o acolheu dele se tornando mãe ao lhe dar condições de existir. Que acolheu a semente no calor da sua intimidade, onde desabrochou ocupando cada vez maior espaço para adquirir feições e crescer assim deformando-a estufando aquela barriga confortável, pesando-lhe e doendo-lhe o corpo nas mutações orgânicas e físicas inerentes à maternidade. Simultaneamente ela para melhor cuidar dessa outra vida sua dependente, privou-se do que não poderia comer nem tomar durante os nove longos meses da gestação e desdobrou seus esforços continuando a trabalhar para obter rendimentos e ajudar a manter também a casa. Tudo sem prejuízo de, sonhando com o dia da luz fazer tempo e dinheiro para o enxoval do agasalho desse filho enquanto criaturinha nascida nua, frágil e dependente dela que seguiu alimentando-o com o próprio leite não só enquanto recém-nascido, como na longa temporada dele necessitado - enquanto infante - daquela seiva somente saudável com a abstinência dela do que pudesse causar mal a ele. Num quadro de abnegação e de doação na medida em que ela teve de limitar suas atividades rentáveis e renunciar aos progressos profissionais na época. Procurei, naquele artigo popular, catequizar aqueles filhos ingratos lembrando essa saga materna tão complexa nos seus desdobramentos nos sustos dos engasgos com regurgitamento, o nunca mais acabar de limpar cocô e trocar fraldas, de passar noites insones com a choradeira das cólicas e da fome noturna, dos medos dos imprevistos, das febrinhas, da hora dolorosa do primeiro afastamento no deixá-lo ("tão pequenino, tão sozinho, o que será dele?!") na escolinha maternal. E da sucessão dos momentos em que o ensinou a se vestir, a orar, a fazer os deveres de casa dia-após-dia, a atravessar a rua, a temer os desconhecidos. Não seria o pai de ser esquecido ou ver diminuído o seu amor pelo filho. Certamente houve o tempo em que passou de mero espectador do filho para dedicar-lhe, diretamente, assistência afetiva e material, insinuando-se e oferecendo-se como seu grande amigo. Talvez sem lograr êxito, já que o filho, afinal, deu no que deu. Ou, talvez porque houve o tempo inevitável, em que se intrometeu na criação uma poderosa e imprevisível parceira, a vida em sociedade. Agora mais insidiosa que nunca na que espelha uma civilização globalizada também no insano bombardeio de informações banalizadoras do mal e que, sorrateiras, invadem as famílias através do novo deus/lar, o televisor que absorve as atenções e padroniza comportamentos. Esse falso deus é quem mais se oferece com o disfarce de boa companhia pelos seus profetas noticiando, na verdade, o desrespeito e a violência, a depravação sexual e o descaminho social, as drogas e, como meio de adquiri-las, os conseqüentes roubos, chantagens e seqüestros. Estou convicto de esse terá sido o mais eficaz caldo de cultura em que cresceu aquele filho hoje ingrato e desnaturado depois de ter sido paparicado desde a concepção, naquele então mundo de amor e sonhos. No ciclo da vida à proporção em que aquele menino se transformou em homem feito sua jovem mãe se tornou uma velha senhora. Aí, então, deveria imperar o natural legado social para as famílias bem estruturadas: o Mito da Cegonha, dos gregos e que tem como moral o impulso de quem recebeu ajuda enquanto dela necessitou depois manter-se grato protegendo e preferindo quem o ajudou e agora está carente. Minha formação jurídica me leva a confundir, fundindo, esse mito com o Princípio da Equidade, sintetizado no tratar desigualmente os desiguais ou seja, em cada fase do ciclo o fraco receberá mais do forte. A infração desses deveres e princípios, pelo que representa de cruel exceção, é que me vem espantando no preocupante crescente número dos filhos que, drogados ou pervertidos pelo mal banalizado, vêm maltratando aquelas suas velhas mães que os criaram. Na verdade, os gregos ao mesmo tempo em que entendiam a cegonha como o animal que cuidava dos seus filhotes mas também das velhas companheiras já incapazes de obter alimento e proteção, viviam preocupados com uma eventual futura, e imprevisível, incapacidade pessoal para sua auto manutenção e conseqüente dependência da assistência dos filhos. Principalmente os de Atenas e de sua região de influência assombravam-se com o comportamento de bárbaros sacrificando seus membros incapazes para, com a morte deles, livrarem suas hordas do estorvo. Por isso que vieram a se valer do que observaram da cegonha para se proteger do medo do próprio futuro se seus filhos adotassem aquele exemplo dos bárbaros. Aqueles gregos somaram-se nos seus medos, cada qual para se garantir, mas a pretexto de preservar a sociedade e, através da alegoria daquela ave, criaram e impuseram como tabu social o Mito da Cegonha. Para apostrofar filhos ingratos me lembrei, naquele artigo, de também me valer desse mito que sintetiza aquele dever de quem, enquanto menor, para sobreviver dependeu de assistência, depois passar a proteger e preferir quem o socorreu naquele tempo e que incapaz, está carente dos recursos e do tratamento afetuoso que prestou e de que agora necessita para sobreviver com dignidade. Ocorre que os gregos, espertamente, como parte integrante do mito desdobraram aquele dever recíproco, dele fazendo decorrer outro, a ser cumprido por quem fosse vítima da ingratidão. A esse o mito impõe uma obrigatória sanção a ser efetivada contra quem não lhe retornou a ajuda recebida. Isso porque se não se previsse punição pela vítima ao ingrato, o mito deixaria de ser tabu protetor dos demais e para a salvaguarda da sociedade. Assim, além da possibilidade da deserdação (também prevista, no nosso direito) à vítima da ingratidão o mito impõe o dever de amaldiçoar o mal-agradecido com o "faskelos" (afasto-te de mim), um gesto público do braço estendido, com os cinco dedos abertos, dirigido contra o amaldiçoado, anunciando a transgressão da Regra, ritual que ainda sobrevive. Quem me conta muitos dos casos que ele conhece é o meu amigo Filippos Xemos, um homem culto. Um detalhe curioso: para os gregos, até hoje o paradigma de filho grato não é um patrício e sim o troiano Enéas, imortalizado por Homero na sua Ilíada e por Virgílio, na Eneida aviventando a lenda de que quando os gregos estavam na iminência de invadir Tróia foram alertados pelo oráculo para pouparem Enéas, por ordem dos deuses, de quem ele era querido. Procurado durante o morticínio, ele foi encontrado, recebeu garantia de vida e a autorização para levar consigo o bem que considerasse o mais precioso. Enéas adentrou a casa e saiu carregando nas costas seu pai senil, cego e entrevado. Admirados com tanta dedicação filial, os guerreiros acolheram o velho e premiaram Enéas com a totalidade de seus bens. Quanto ao faskelos que para os gregos vale como maldição simbólica contra quem não restitui a assistência afetiva e material, nem o amor recebidos, ente nós - se essa ingratidão de filho incorporar qualquer tipo de violência - deverá se formalizar no gesto da denúncia policial/judicial. Não como se a vítima da ingratidão devesse com isso aplicar a Lei de Talião, olho por olho, dente por dente. Não. Seu gesto teria mais a finalidade da restituição da graça e do amor como santo remédio para uma correição comportamental do filho, in oportuno tempore, decorrente de outro dever moral/social, o da paternidade responsável, bem como para exercer o direito de defesa da dignidade pessoal e da própria vida, conforme o caso. Ainda acacianamente, erra-se por ação e... por omissão, e o caminho do inferno talvez esteja calçado de mais pretensas virtudes que de pecados mortais. Estou tão enfático nesse ponto por me sentir provocado pela sistemática recusa de mães que não admitem essa denúncia como aquele poder-dever delas. Ora, porque realmente são mais sensíveis e frágeis, assim vítimas preferidas dos filhos problemáticos que as agridem moral e/ou fisicamente confiados no amor desmedido delas, são por mim alertadas sobre sua recusa por amor ou por pudor ser a antítese da necessária correição para a, aí sim, amorosa recuperação deles. Aqueles agressores confiam, afinal, no confiável silêncio público delas que se aceitam como verdadeiras reféns de seqüestros domésticos. Essas não têm olhos para enxergar que aquele seu silêncio não corresponde a uma devotada abnegação e sim a uma cumplicidade conivente e incentivadora daqueles seus filhos. Esses, não denunciados para serem corrigidos por quem detenha autoridade que elas já perderam, rolarão definitivamente pela ladeira do crime e por eles serão chorados como indivíduos então nocivos não só à sociedade como a elas próprias que não assumiram a parte corretiva da maternidade responsável. As poucas que exercem seu poder/dever de denunciar, apenas o fazem quando a ingratidão deles chega ao clímax, com a expulsão delas da própria casa, com surras humilhantes ou por sofrerem sucessivos furtos que as deixaram sem nada por seus filhos desinsofridos para quitarem traficantes de drogas. Não tenho dúvidas em diagnosticar como câncer social essa especial violência ausente do noticiário e crescente até nas classes mais abastadas supostamente imunes a ela e que têm filhos sob metástase desse câncer contaminado pelas más companhias e drogas, agressivos pela banalização do mal. Reitero que, para alertá-las será sempre válido aquele Mito da Cegonha no seu corolário punitivo dessa ingratidão de um filho pela denúncia dele como transgressor da Regra, nesse sentido gesticulando-lhe com o fastelos. Aproveito para destacar que o uso inadequado vulgarizou o termo gratidão que urge seja revalorizado na origem como restrito a quem se deve, sob qualquer forma, a vida; aos demais benfeitores deve-se reconhecimento. O caso seguinte, há pouco objeto de consulta, exemplifica milhares subjacentes ao noticiário e justifica minha intenção. Uma filha única, com 15 anos de idade, órfã de pai desde os 4, matriculada nas melhores escolas, de crescimento físico precoce, mal influenciada aos onze rebelou-se contra o estudo e a disciplina, assumiu de vez suas más companhias e as drogas hoje onipresentes. Numa (de)gradação passou da desobediência ao desacato, à agressão à mãe, ao furto do dinheiro que descobria e dos eletrodomésticos. Depenava a mãe e a casa para pagar traficantes. Nisso, desde os 13 anos, corpo de mulher, tornou-se amante de um desqualificado, de 30 (meu xará, Freud, explica). Fez da mãe aquela refém de continuado seqüestro doméstico: cujo resgate é o preço do sustento do vício. Já exaurida física, psíquica, moral e financeiramente, malgré tout passou a ser aterrorizada por traficantes adentrando sua casa exigindo - sob ameaças de morte - pagamento das dívidas da filha que continua lhe batendo. A essa altura da narrativa da consulente, fiquei ainda mais chocado ao constatar que, mesmo desesperada, acuada e doente pela somatização da ingratidão dessa filha e do terror dos bandidos, essa mãe, afinal, se recusava a provocar solução policial/judicial. Está preferindo a absurda alternativa de vender os seus imóveis para ter como fugir e desaparecer do acesso dessa corja. A multiplicação dos casos que chegam ao meu conhecimento profissional - sem que seja autorizado a agir - ao mesmo tempo que me deixa revoltado contra tanta ingratidão me deixa com sensação de impotência por saber que cada caso é como a pequena bola de neve que começa a rolar e, não tendo quem a freie será avalanche em breve. Lembro que de pais preocupados com maior riqueza e despreocupados com filho, não torcendo desde pequeno o pepino supondo que ele evoluirá naturalmente como ótimo filho e cidadão, nascem bandidos de gravata. Do tipo do Mauricinho B., recentemente famoso na mídia e que, filhinho mimado, escandalizou a sociedade ao ser identificado pela polícia como o chefe de uma gang autora de espetaculares assaltos a prédios inteiros de apartamentos, para fazer dinheiro para drogas, enquanto os pais se ocupavam de freqüentar o society. Li que a mãe com quem vivia, escondeu do pai separado as surras que levava de Mauricinho, além de três detenções policiais por porte de drogas; e que o pai chegou a ser apunhalado no peito por asseclas do filho ao ir admoestá-lo para abandonar o vício. Foi apunhalado na frente dele que não esboçou qualquer defesa do pai que acabou socorrido por terceiros e internado numa UTI, em coma por sete dias. Esses pais, ausentes na formação e inertes na correição desse filho, pecaram contra ele definitivamente marginalizado e contra a sociedade lesionada pelo ladrão. Por isso que provoco para a Razão essas mães que confundem amor maternal e perdão incondicional com uma perigosa cumplicidade. Mães que, como a do exemplo que narrei, comparecem no meu escritório - como no de outros familiaristas - pretextando consulta que resulte numa solução judicial que as poupe do seu sofrimento nas mãos dos seus filhos pervertidos pelas más companhias e pelas drogas. Mães que, no entanto, como se extrovertessem seus dramas no divã de psicanalista evidenciam desejar apenas quem as ouça repelindo qualquer sugestão jurídica. A saga da sua insuspeitada tragédia, com o detalhamento das ruindades com que lhes agradecem o muito amor, é contada com lágrimas escorrendo-lhes faces abaixo, mater dolorosas. Ao final, agradecem mas dispensam as orientações, saindo arrastando sua sina, deixando para trás um advogado solidário e frustrado. Muitos anos atrás, eu ensinei voluntariamente na Escola David Rose para os deficientes e as crianças eram adoravelmente carinhosa e amável. Passei da infância à idade adulta com uma mãe adotiva e que tinham compartilhado um vínculo de mãe e filho, embora não estivéssemos biologicamente ligado. Que vergonha para os filhos que fisicamente, psicologicamente, emocionalmente e abusar sexualmente de suas mães! Álcool, drogas e sendo ligeiramente retardado não são desculpa para seu comportamento. Onde estão as organizações que defendem os direitos das mulheres? Quanto tempo deve essas mulheres, abençoado por Deus para ter filhos, sofrem? Sabe-se que algumas mães imploram a polícia ou magistrado para dar a seus filhos ofensivos a chance - a chance de bater o inferno fora deles novamente e novamente. Caro Mães, olhar para os dedos de suas mãos - eles não são todos do mesmo comprimento e se você perder um, a mão ainda está funcional. Quando você mantém implorando as autoridades a perdoar seus filhos, que se exercitam a crueldade contra você, seus próprios parentes para trás fora. Eventualmente, todos se recusa a ajudar a reverter a situação. Você tem que aprender a deixar ir. Esqueça ter suportado que ingrato por nove meses e perder o sono para alimentá-lo na hora certa durante os primeiros meses de sua vida. Esqueça ter visto o nascer do sol, mantendo-o em seus braços, quando ele estava doente.Esqueça ter fechado os olhos para as injustiças de que tinha feito enquanto ele estava crescendo - aqueles erros que eventualmente o transformaram em este monstro. Eu digo a cada filho que abusa de sua mãe sob qualquer forma, que ele é amaldiçoado - se ele é sensato, louco ou retardado. Gostaria de ir tão longe como dizer que ele está possuído pelo mal, porque seu comportamento não é de Deus. Cada texto religioso fala sobre honrar pai e mãe. Filhos ingratos .No transcorrer da vida percebemos que a nossa estrada não é a mesma de nossos filhos, por isso eles devem andar sozinhos. A ingratidão - chaga pestífera que um dia há de desaparecer da Terra - tem suas nascentes no egoísmo, que é o remanescente mais vil da natureza animal, lamentavelmente persistindo na Humanidade. A ingratidão sob qualquer forma considerada, expressa o primarismo espiritual de quem a carrega, produzindo incoercível mal-estar onde se apresenta. O ingrato, isto é, aquele que retribui o bem pelo mal, a generosidade pela avareza, a simpatia pela aversão, o acolhimento pela repulsa, a bondade pela soberba, é sempre um atormentado que esparze insatisfação, martirizando quantos o acolhem e socorrem. O homem vitimado pela ingratidão supõe tudo merecer e nada retribuir, falsamente acreditando ser credor de deveres do próximo para consigo, sem qualquer compensação de sua parte. Estulto, desdenha os benefícios recolhidos a fim de exigir novas contribuições que a própria insânia desconsidera. É arrogante e mesquinho porque padece atrofia dos sentimentos, transitando nas faixas da semiconsciência e da irresponsabilidade. Sendo a ingratidão, no seu sentido genérico, detestável nódoa moral, a dos filhos para com os pais assume proporções relevantes, desde que colima hediondo ato de rebeldia contra a Criação Divina. O filho ingrato é dilacerador do coração dos pais, ímpio verdugo que se não comove com as doloridas lágrimas maternas nem com as angústias somadas e penosas do sentimento paterno. Com a desagregação da família, que se observa generalizada na atualidade, a ingratidão dos filhos torna-se responsável pela presença de vários cânceres morais, no combalido organismo social, cuja terapia se apresenta complexa e difícil. Sem dúvida, muitos pais, despreparados para o ministério que defrontam em relação à prole, cometem erros graves, que influem consideravelmente no comportamento dos filhos, que, a seu turno, logo podem, se rebelam contra estes, crucificando-os nas traves ásperas da ingratidão, da rebeldia e da agressividade contínua, culminando, não raro, em cenas de pugilato e vergonha. Muitos progenitores, igualmente, imaturos ou versáteis, que transitam no corpo açulados pelo tormento de prazeres incessantes - que os fazem esquecer as responsabilidades junto aos filhos para os entregarem aos servos remunerados, enquanto se corrompem na leviandade -, respondem pelo desequilíbrio e desajuste da prole, na desenfreada competição da utópica e moderna sociedade. Todavia, filhos há que receberam dos genitores as mais prolíferas demonstrações e testemunhos de sacrifício e carinho, aspirando a um clima de paz, de saúde moral, de equilíbrio doméstico, nutridos pelo amor sem fraude e pela abnegação sem fingimentos, e revelam-se, desde cedo, frios, exigentes e ingratos. Se diante de pais irresponsáveis a ingratidão dos filhos jamais se justifica ou procede, a proporcionada por aqueles que tudo recebem e tudo negam, somente encontra explicação na reminiscência dos desajustes pretéritos dos Espíritos, que, não obstante reunidos outra vez para recuperar-se, avivam as animosidades que ressumam do inconsciente e se corporificam em forma de antipatia e aversão, impelindo-os à ingratidão que os atira à rampas inditosas do ódio dissolvente. A família é abençoada escola de educação moral e espiritual, oficina santificante onde se lapidam caracteres, laboratório superior em que se caldeiam sentimentos, estruturam aspirações, refinam ideais, transformam mazelas antigas em possibilidades preciosas para a elaboração de misteres edificantes. O lar, em razão disso, mesmo quando assinalado pelas dores decorrentes do aprimorar das arestas dos que o constituem, é forja purificadora onde se devem trabalhar as bases seguras da humanidade de todos os tempos. Quando o lar se estiola e a família se desorganiza a Sociedade se abate e estertora. De nobre significação, a família não são apenas os que se amam, através dos vínculos da consangüinidade, mas, também, da tolerância e solidariedade que se devem doar os equilibrados e afáveis aos que constituem os elos fracos, perturbadores e em deperecimento no clã doméstico. Aos pais cabem sempre os deveres impostergáveis de amar e entender até o sacrifício os filhos que lhes chegam pelas vias sacrossantas da reencarnação, educando-os e depondo-lhes nas almas as sementes férteis da fé, das responsabilidades, instruindo-os e neles inculcando a necessidade da busca de elevação e felicidade. O que decorra serão conseqüências do estado moral de cada um, que lhes não cabem prever, recear ou sofrer por antecipação pessimista. Aos filhos compete amar aos pais, mesmo quando negligentes ou irresponsáveis porquanto é do Código Superior da Vida, a imposição: “Honrar pai e mãe”, sem excluir os que o são apenas por função biológica, assim mesmo, por cujo intermédio a Excelsa Sabedoria programa necessárias provas redentoras e torturantes expiações libertadoras. Ante o filho ingrato, seja qual for a situação em que se encontre, guarda piedade para com ele e dá-lhe mais amor... Agressivo e calceta, exigente e impiedoso, transformado em inimigo insensível quão odioso, oferta, ainda, paciência e mais amor... Se te falarem sobre recalques que ele traz da infância, em complexos que procedem desta ou daquela circunstância, em efeito da libido tormentosa com que os simplistas e descuidados pretendem escusá-lo, culpando-te, recorda, em silêncio, de que o Espírito precede ao berço, trazendo gravados nas tecelagens sutis da própria estrutura gravames e conquistas, elevação e delinqüência, podendo, então, melhor compreendê-lo, mais ajudá-lo, desculpá-lo com eficiência e socorrê-lo com probidade prosseguindo ao seu lado sem mágoa e encorajado no programa com a família inditosa e os filhos ingratos, resgatando pelo sofrimento e amor os teus próprios erros, até o dia em que, redimido, possas reorganizar o lar feliz a que aspiras. O desafio da convivência Um dos maiores desafios na vida em família, a meu ver, está na convivência entre pais e filhos. Assim como temos visto em várias novelas da TV brasileira, a vida real, infelizmente, também nos mostra algumas mães e pais totalmente decepcionados com filhos ingratos e alguns até cruéis. Então, como você – pai ou mãe – deve agir diante dessa situação? Em primeiro lugar, entenda que seu filho vê em você a imagem que você mesmo vê e transmite para o mundo – a de uma pessoa que não se valoriza e faz tudo pelos outros, na vã tentativa de ser amada e reconhecida. Para que seu filho reconheça suas qualidades e o respeite, tome a atitude de se amar mais do que a qualquer outra pessoa. Dê um basta nessa superproteção em relação aos filhos e comece a cuidar de quem é mais importante em sua vida: VOCÊ! Isso não é egoísmo, e sim um resgate da sua autoestima, do seu amor próprio. Só com a autoestima abastecida você é capaz de amar com equilíbrio e educar com limites. Abandone o amor permissivo e adote o amor exigente por seu filho. Ele precisa entender que você o ama, mas você não gosta e não vai aceitar as atitudes erradas dele. Consciente de que você fez o melhor por seu filho, fale e aja com firmeza no sentido de não permitir mais desacatos, e exija que ele o respeite. Aceite que, por mais exemplos bons que você tenha dado ao seu filho, ele fez a escolha de ignorá-los. Sua boa influência está com ele, mas se ele optou por seguir o caminho da ingratidão ou da desonestidade, a única coisa que você pode fazer é rezar por ele e seguir sua própria vida, sem rancores e cobranças. Isso mesmo, que você perdoe ao seu filho para se libertar de mágoas que, mais dia menos dia, acabarão manifestando-se em forma de doenças. Perdoar não é aceitar, é apenas não se prender às dores do ressentimento. Cuidado: é grande o número de pais e mães que adoecem, numa busca inconsciente de atenção e carinho dos filhos. Não caia nessa armadilha e cultive sua fé na certeza de que seu filho, antes de ser seu, ele é filho de Deus. E, com essa dolorosa lição que a ingratidão em família pode lhe trazer, daqui para frente tome cuidado com as expectativas e idealizações. São elas as grandes responsáveis pelas decepções. Lembre-se: ninguém muda ninguém, a não ser a si próprio. Cada pessoa tem sua natureza e o livre arbítrio de escolher acordar ou não para a vida. Por isso, não perca mais tempo tentando mudar seus filhos. Permaneça firme como bom exemplo para eles e decida, hoje mesmo, buscar seus recursos internos para ser feliz, sem jamais condicionar sua felicidade a quem quer que seja! ARTIGO: A alma e a sua existência A busca da verdade passa pela questão da existência da alma. A resposta a esta questão colocou em campos opostos filósofos do quilate de Hume, Hamilton, Stuart Mill, Taine, que admitiam que a alma se reduzisse a um grupo de sensações, de idéias, de emoções, etc. Como dizia Broussais, “o homem racional não pode admitir a existência de uma coisa que não seja percebida por algum dos sentidos”. Dizia ainda Broussais que o cérebro é a causa e o princípio do pensamento e, por conseguinte, o espírito é uma hipótese inútil. Mas, sendo o cérebro composto de células, que se renovam a todo o instante como, aliás, em todo o corpo, se no homem existem apenas fenômenos sucessivos, sem um laço que ligue o passado ao presente, como então se explicam o hábito, a associação de idéias e a memória? Deste modo, é forçoso admitir que existe em nós uma realidade que independe do cérebro, que é a sede das nossas mudanças psicológicas, e que é também a causa dos atos que praticamos. A esta realidade, chamamos de alma. Se existe a alma, qual será a sua natureza? Será espírito, ou será matéria? O espiritualismo defende a distinção da alma do corpo; o materialismo, só admite a existência do corpo e da matéria. No homem, ocorrem fenômenos quantitativos, como a digestão, a circulação, etc. e fenômenos qualitativos, só percebidos pela consciência, como a alegria, o pensamento, ou o remorso. Assim sendo, existe no homem uma substância extensa, divisível e palpável, que é o corpo, e uma outra substância simples, perceptível somente pela consciência, a alma. A alma é una, e o homem, por ter só uma alma, comprova a sua unicidade. Ela não é única só numericamente, mas é una também por ser simples e indivisível. Enquanto que todas as células do corpo se renovam em um curto período de tempo, isto é, o corpo muda em substância, a alma permanece sempre idêntica a si mesma, não havendo mudanças no nosso Eu ao longo do tempo, que permanece o mesmo, tanto no passado quanto no presente. É esta imutabilidade da alma que confere a identidade ao homem. A ESPIRITUALIDADE DA ALMA O ser espiritual é aquele que existe independente da matéria e das suas condições de ser e de operar. É fato que a alma está unida ao corpo, e que exige o concurso dos órgãos do mesmo, para realizar as suas operações sensitivas. Apesar disso, também é fato que a alma é independente do corpo nas suas funções intelectuais. Deste modo, a alma pensa e quer sem o auxílio destes órgãos. Podemos assim concluir que a alma não está completamente imersa no corpo, que é independente dele sob diversos aspectos, e que, por conseguinte, é um ser espiritualDizia Aristóteles que um ser se conhece por suas operações. Ora, a nossa alma forma idéias, e a idéia é imaterial. Em conseqüência, a inteligência, a faculdade do pensamento, também é imaterial. Deste modo, a alma, que opera pela inteligência, é imaterial pela mesma razão. Enquanto a matéria é indiferente à inércia ou ao movimento, isto é, ao determinismo, a alma, ao contrário, é livre para operar ou não, para resistir ou ceder aos impulsos da sensibilidade, isto é, a alma goza do livre arbítrio. Conclui-se assim que a alma é simples, é idêntica a si mesmo, e é espiritual, necessariamente distinta do corpo, que é composto, mutável e material. A ALMA, O FÍSICO E A MORAL A ALMA, O FÍSICO E A MORAL A simplicidade e a espiritualidade que caracterizam os fenômenos da inteligência impedem que afirmemos que o cérebro – substância material e em constante mutação - seja a verdadeira causa do pensamento. Por outro lado, a inteligência necessita para se expressar, para o seu funcionamento normal, de um cérebro saudável. Deste modo, o cérebro nada mais é do que o instrumento material de que se vale o espírito, imaterial, para expressar os seus pensamentos. Aristóteles notou que pensamos sem órgãos, que o entendimento não está ligado a nenhum órgão corporal, e que pode trabalhar e existir separado do corpo. Ocorre que, em nosso estado atual, nunca pensamos semSe um louco pudesse ter transplantado o cérebro lesado por um outro que fosse são, com certeza pensaria de modo correto. Isto porque a desordem e a deterioração dos órgãos não lesam a inteligência em si mesma, mas somente a privam das condições e meios requeridos para o seu funcionamento normal. Pode-se dizer que o cérebro é a interface entre o espírito e o mundo material. A UNIÃO DA ALMA E DO CORPO Aristóteles, S. Tomás e a maior parte dos espiritualistas não admitem no homem dois princípios de vida. Afirmam que além da sua atividade consciente e psicológica, a alma inteligente possui também a faculdade de presidir às funções fisiológicas. Desta maneira, a alma seria o único princípio de toda a atividade vital do homem, da sua vida vegetativa e sensitiva, e também de sua vida propriamente espiritual. Já vimos que a correlação íntima que existe entre as diversas operações da alma pensante (sensibilidade, inteligência e vontade), prova a unidade substancial do princípio de onde elas se originam. Esta mesma correlação se verifica entre as operações psicológicas e as funções orgânicas. Uma comoção violenta da alma faz parar a circulação do sangue, o medo paralisa, e a confiança sustenta as forças físicas; o trabalho intelectual intenso retarda a digestão, etc.; poder-se-ia citar numerosos fatos que provam a influência do físico no moral, e reciprocamente. Demonstrada a união da alma e do corpo, como se faz esta união? O corpo não existe antes da sua união com a alma. Da alma, o corpo recebe a sua unidade, a organização, a vida e atividades próprias, numa palavra, tudo o que faz dele o ser humano. Assim, o corpo apenas se separa da alma pela morte, quando perde todos estes caracteres, todas as suas determinações específicas, dissolvendo-se nos elementos químicos de que foi formado. Quanto à alma, sem dúvida que existirá separadamente do corpo, vivendo a sua vida espiritual, mas, sem o corpo, não mais poderá exercer as faculdades que exigem o concurso dos órgãos corporais, como a sensibilidade, a percepção externa e a imaginação. Deste modo se conclui, com Aristóteles, que o corpo é a matéria, e a alma é a forma, e que a união do corpo com a matéria forma um todo verdadeiro e substancial. É esta união no ser que faz da alma e do corpo um só princípio de ação, que faz com que não haja ação humana na qual o corpo não faça a sua parte, nem tão humilde e material que não repercuta na alma. É este o princípio que coloca em cheque o racionalismo de Descartes, expresso na frase: Penso, Logo, Existo. A IMORTALIDADE DA ALMA Com a morte, o corpo se dissolve. Acontecerá o mesmo com a alma e morreremos inteiramente? O que é a imortalidade? A imortalidade consiste na sobrevivência substancial e pessoal do eu, na identidade permanente da alma, que conserva as suas faculdades de conhecer e amar, sem as quais não há felicidade humana. Após a morte, a alma mantém a consciência da sua identidade, com as lembranças e responsabilidades do seu passado, sem as quais não poderia haver nem recompensa nem castigo – em uma palavra – não existiria o princípio da justiça divina. A metafísica demonstra que a alma é imortal por sua natureza incorruptível. A razão para a sua sobrevivência após a morte do corpo é demonstrada pelo argumento moral. Que esta sobrevivência é indefinida e ilimitada, prova-o o argumento psicológico. O corpo se desagrega e se dissolve logo que se separa do seu princípio de unidade, da sua forma substancial que é a alma. Pelo contrário a alma, sendo como é, metafisicamente simples e espiritual, não pode decompor-se nem se desagregar. Não morre, pois, com o corpo. Este é o argumento metafísico da imortalidade da alma. Se há Deus e lei moral, a justiça exige absolutamente que o crime seja punido e a virtude seja recompensada. Neste mundo, nem a natureza, nem a sociedade, nem a própria consciência dispõem de sanções suficientes para recompensar plenamente a virtude ou punir adequadamente o vício; é necessário, portanto, que haja outra vida onde a justiça seja plenamente satisfeita, e a ordem seja restabelecida. Este é o argumento moral, que demonstra a sobrevivência da alma, mas não prova que esta existência seja ilimitada na sua duração. O argumento psicológico, que prova a perseverança indefinida da existência da alma humana depois da morte, assenta sobre o princípio de que Deus não pode, sem se contradizer a si próprio, dar um fim a um ser, sem lhe dar os meios de o atingir. Tudo na natureza do homem prova que ele é criado para atingir a felicidade perfeita; mas é evidente que não a pode alcançar neste mundo, e que deve haver uma outra vida onde a possa obter. E como por outra parte não existe felicidade completa sem duração ilimitada, segue-se que essa vida futura não pode e não deve ter limites. O ser humano aspira a um objeto infinito, a uma verdade, beleza e bondade absolutas, cuja posse nos deve fazer felizes. Nossas faculdades superiores possuem capacidade ilimitada, que não se pode satisfazer completamente fora deste bem infinito, que não é outro senão o próprio Deus. Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração está inquieto até que descanse em Vós (Santo Agostinho) Mas, o que encontramos neste mundo que apague esta sede de felicidade do homem, que preencha o vazio deste coração criado para o infinito? A natureza é tão limitada e o mundo tão pequeno; esta vida é tão curta e a realidade tão imperfeita! Queremos amar, queremos viver o mais possível, e por toda a parte só encontramos obscuridade, decepção, sofrimento e morte. Assim, é evidente a total desproporção entre os nossos meios e as nossas necessidades. Logo, se há um Deus sábio e justo, esta contradição não pode ser definitiva; deve haver outra vida onde se restabeleça o equilíbrio entre o que desejamos e o que podemos, uma vida em que sejamos perfeitamente felizes. A duração ilimitada da imortalidade é evidente que constitui o elemento essencial da felicidade completa; não se pode gozar plenamente um bem quando receamos perdê-lo. A incerteza dói tanto mais quanto maior é o bem possuído. Como diria Marco Túlio Cícero: Si amitti vita beata potest, beata esse non potest (Se se pode perder a vida feliz, já não se pode ser feliz) Logo, a vida futura da alma, a imortalidade, não tem fim, é infinita e ilimitada, e a sua tendência natural é a prática da virtude, em conformidade com os desígnios do seu criador, Deus.

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